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DIO, o criador do chifrinho
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June 1st, 2010rock
Enquanto o mundo do heavy metal ainda se recuperava do choque da morte de Ronnie James Dio, de longe um dos melhores vocalistas que já tivemos o prazer de ouvir, tive o desprazer de me deparar com uma grande quantidade de posts ignorantes e sensacionalistas da dita ‘grande mídia’. Alguns deles me fizeram sofrer. Acredito que vocês também.É impressionante a falta de noção da maioria dos meios de comunicação brasileiros. Falta de profissionalismo até. Grandes portais de mídia contratam um pobre coitado que se diz ‘roqueiro’ para cobrir tudo que diz respeito ao gênero. Como já mencionei aqui no post sobre a passagem do Guns no Brasil, esse tipo de jornalismo feito na base do ‘CTRL C+CTRL V’ é dominante na internet brasileira. Muito mais fácil. É óbvio que na escola de jornalismo, esse hábito é condenado e punido, mas no mercado de trabalho, é glorificado. O sujeito copia as informações de um site, publica num grande portal, arruma suas coisas e vai pra casa. Um dia após o outro, sem se preocupar com criatividade, veracidade ou até mesmo respeito no seu conteúdo. Lester Bangs revira na cova.
Espero que não achem que falo isso apenas do ponto de vista de fã. Entendo que a maioria dos temas abordados pelo nosso jornalismo é feito de forma rasa e transitória, majoritariamente no meio online. Agora foquemos na cultura: cultura no Brasil é Bossa Nova, Caetano Veloso e Paulo Coelho, o resto é palhaçada americana. O velho discurso dos pseudo-intelectuais da Vila Madalena. O que os meios de comunicação não entendem é que no ambiente online, há espaço para todos, e que todos querem informação de qualidade. E é por isso que eles estão morrendo.
Acredito que alguém possa criticar Dio por trazer a temática de fantasia para o heavy metal, mas ninguém o fez. Sua morte, após uma luta cruel com um câncer estômago, suscitou matérias que gostaríamos de ter como improváveis. No entanto, ‘Dio, o criador do chifrinho’, dominou as manchetes dos cadernos de cultura. Uma delas, buscando uma contagem alta de comentários em seu blog (provavelmente para ganhar um ponto positivo com os chefes) chamava o vocalista de ‘Deus Ridículo do Rock’.
Mais uma vez, gostaria de deixar claro que minha postura como fã não altera o problema. Não me parece ‘humano’ chamar de ridículo alguém que acabou de falecer.
Maus profissionais ou profissionais chegados numa apelação. O que eles não entendem é que a web nos dá a oportunidade de ter informação de qualidade em qualquer segmento possível. Não precisamos mais do jornal pra nos contar o que é novo. É triste sim, que o Rock seja visto pela mídia como um movimento de baderneiros. É cruel ver a Ivete Sangalo num evento chamado Rock In Rio, que acontece em Lisboa, a propósito. Mas é mais triste sermos obrigados a ler o que este tipo de jornalista escreve, um sujeito que prefere ter um emprego e não uma carreira.
Dio teve uma, e uma das mais brilhantes do Rock. Que ele descanse em paz.
Tags: chifrinho, dio, jornalismo, morte
27 anos. Jornalista. Escorpiana. Quase casada. Prefiro neve à praia, coxinha à brigadeiro e Megadeth à Metallica. Continuo na missão de assistir todos os filmes do mundo e ler todos os livros também. Amo tecnologia, Star Trek, fotografia, arte e viajar. Multitarefa e viciada por organização. Metade Mia Wallace, metade Amelie Poulain. Fiel súdita de Martha Stewart e Heineken.